quarta-feira, 23 de abril de 2008

A exclusão das ginjas

Publicado a 19 de Abril no Jornal Oficial da União Europeia (JOUE):


Regulamento (CE) nº 352/2008 da Comissão, de 18 de Abril de 2008, que altera o Regulamento (CE) nº 1580/2007 no que se refere ao volume de desencadeamento dos direitos adicionais aplicáveis aos pepinos e às cerejas, com exclusão das ginjas.

COMENTÁRIO:

Acho que é uma falha gravissima a exclusão das ginjas, exclusão que afecta, aliás, o princípio da igualdade e o principio da sustentabilidade das sociedades desenvolvidas, pois, sem ginja não há Ginginha e sem ginginha falta-nos um elemento preenchedor do nosso imaginário colectivo, estruturante da nossa história. Constitui tal exclusão ainda uma medida ofensivamente descaracterizante e desigual quanto aos demais países; imaginem excluir as tapas em Espanha, a carne crua em França, o chá em Inglaterra, as salsinhas na Áustria, a cerveja na Alemanha, as tulipas na Holanda, as pizzas em Itália. O que seria ? Mas não é. É mais uma prova da fraqueza dos Governo Português.
Já perdemos os pastéis de bacalhau e os pipis requentados. O que mais iremos perder ?

Será que o Estado Federal Americano e o Estado federal Brasileiro também legislam sobre a exclusão das ginjas ?

domingo, 20 de abril de 2008

Um exemplo de coerência ou o sentido da impunidade:

No Diário de Noticias de 20 de Abril de 2008, isto é, um mês depois das declarações anteriores ao Jornal Público, o mesmo Fonseca Ferreira, Presidente da CCDR de Lisboa e Vale do Tejo, informava o seguinte:


"Além de Alcochete  e do Montijo, há mais sete concelhos que vão beneficiar directamente da instalação do novo aeroporto na Margem Sul do Tejo, acolhendo actividades logísticas industriais, de serviços e residências. Tudo ligado à actividade da nova infra-estrutura, disse ao DN Fonseca Ferreira, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo. São eles os concelhos de Salvaterra de Magos, Benavente, Coruche, Barreiro, Seixal, Almada e Palmela.


Fonseca Ferreira defende que junto ao novo aeroporto haja uma cidade aeroportuária, com actividades de apoio aeroporto e industrias e serviços relacionados com o transporte aéreo. Mas acha que essa "cidade não deve esvaziar Lisboa e não deve esquecer, em particular, três áreas que estão em stand buy em termos de requalificação na margem sul: as zonas da Quimiparque, Margueira e Siderurgia Nacional", respectivamente nos concelhos do Barreiro, Almada e Seixal. Além disso, considera que terá de haver "uma organização ordenada noutros concelhos em torno do aeroporto, que deverão acolher actividades não só subsidiárias de apoio aquela infra-estrutura, mas também outras de carácter económico e serviços".

No Porto Alto, por exemplo, já existe hoje uma plataforma logística de distribuição. Mas com o aeroporto esta plataforma vai ser reorganizada e reforçada, prolongando-a por Samora Correia, Benavente e Salvaterra de Magos, refere o presidente a CCDRLVT. E associada a às actividades logísticas poderão surgir também algumas indústrias. Isto representa desenvolvimento económico nos concelhos de Benavente e Salvaterra de Magos.

"Depois haverá um outro pólo fundamental, também logístico na península de Setúbal, em torno da plataforma logística do Poceirão, no concelho de Plamela. Esta plataforma que tem hoje 200 hectares poderá expandir-se ir até 600 hectares", explica Fonseca Ferreira .

Já para Coruche está prevista a instalação de actividades e industriais e de serviços e de habitação de elevada qualidade. Porquê? Porque no parque industrial do concelho onde hoje já existe a fábrica da beterraba e algumas indústrias ligadas ao tabaco e cortiça poderão vir a instalar--se outras unidades que tenham a ver com o aeroporto. Para além disso, o plano prevê a também a possibilidade que alguns dos quadros do aeroporto escolham Coruche para vivere."No Barreiro deverão fixar-se também actividades industriais, até porque a zona tem condições de mão-de-obra e de acessibilidades para isso", tal como na zona da Siderurgia Nacional, diz Fonseca Ferreira.

É ASSIM !

Um exemplo de coerência

FONSECA FERREIRA, Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo declarou em finais de Março ao Jornal PÚBLICO, o seguinte:

"A construção do novo aeroporto internacional de Lisboa pode levar a margem sul do Tejo ao "desastre", se não houver uma "tolerância zero" no controlo da expansão urbana na região. O alerta vem de António Fonseca Ferreira, Presidente da CCDRLVT - entidade que coordena a articulação entre o desenvolvimento, o ordenamento e o ambiente na região.
O mesmo responsável é ainda formalmente contra uma nova travessia rodoviária do rio em Lisboa, "Será contraproducente. Abandonaremos o transporte público definitivamente", disse ao PÚBLICO.
A localização do novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, segundo Fonseca Ferreira traz enormes oportunidades, mas também comporta grandes riscos. O principal é o de um desenvolvimento urbano desordenado e disperso da margem sul, algo que Fonseca Ferreira admite já ter resultado da construção da Ponte Vasco da Gama há dez anos.
Tolerância Zero. "Desta vez ou somos diferentes ou vamos a caminho do desastre." Afirma.
As regiões ainda pouco urbanizadas da margem sul correm o risco de estarem em dez anos, "como a margem norte ou como o Algarve". 

Para quem não sabe: Fonseca Ferreira é Presidente da CDDR de Lisboa e Vale do Tejo há mais de 13 anos e nessa qualidade é o responsável pelo planeamento urbano da Área Metropolitana de Lisboa e Vale do Tejo, pelo que se tem aprovado e pelo que não se tem aprovado ao nível de planos de urbanização, pois, todos eles até há bem pouco tempo, passavam pelas suas mãos.
Por isso está a queixar-se de quê e de quem ?

domingo, 9 de março de 2008

Rui Marques, em entrevista ao PÚBLICO, a propósito do nascimento de um novo partido politico – Movimento Esperança Portugal:

“A democracia não tem numerus clausus, são os portugueses que decidem. A diversidade é a força da democracia. Este projecto não nasce contra ninguém, nem com a ideia de que tem uma varinha mágica para resolver os problemas. Não temos um discurso de que está tudo mal, de que os políticos são corruptos, de que Portugal vai para pior. Pelo contrário. A nossa mensagem é que melhor é possível.”

“Nós vivemos aprisionados num conceito de política que é a arte da conquista e manutenção de poder. Isto não é política a nosso ver. Para nós, política é servir o bem comum, lutar pela justiça social, onde há um facto instrumental que é ter a legitimidade dos votos para disputar as ideias que se defendem.”

No mínimo o que podemos dizer é que o discurso é oportuno e as palavras ditas estão em falta.

sábado, 1 de março de 2008

Frei Agostinho da Cruz - Serra da Arrábida

Elegia II

(Da Arrábida)

Alta Serra deserta, donde vejo
As águas do Oceano duma banda,
E doutra já salgadas as do Tejo:

Aquela saüdade que me manda
Lágrimas derramar em toda a parte,
Que fará nesta saüdosa, e branda?

Daqui mais saüdoso o sol se parte;
Daqui muito mais claro, mais dourado,
Pelos montes, nascendo, se reparte.

Aqui sôbolo mar dependurado
Um penedo sobre outro me ameaça
Das importunas ondas solapado.

Duvido poder ser que se desfaça
Com água clara, e branda a pedra dura
Com quem assim se beija, assim se abraça.

...



sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Fernando Pessoa

Nunca a alheia vontade, inda que grata,

Cumpras por própria. Manda no que fazes,

Nem de ti mesmo servo.

Niguém te dá quem és. Nada te mude.

Teu íntimo destino involuntário

Cumpre alto. Sê teu filho.

 Fernando Pessoa

 

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O silêncio é de ouro!

Sob o titulo O SILÊNCIO É DE OURO, João César das Neves brinda-nos, no Diário de Noticias de 25 de Fev.  de 2008, com uma critica pertinente à exploração quase irracional e muitas vezes degradante das patologias dos intervenientes na coisa pública, sejam eles funcionários de um qualquer departamento ministerial ou o mais proeminente ministro:

“Os media não notam que esta degradação também cai sobre eles.

Os repórteres confundem as figuras tristes com jornalismo de qualidade. Em Portugal, relatos enviesados, manipulação descarada, boatos mesquinhos, piadinhas tolas, fotografias ridículas e notícias encomendadas passam por imprensa genuína.

As dificuldades em viver neste mundo não se ficam pela vida pública. Na televisão, rádio, jornais ou auditórios é normal organizar colóquios, debates, mesas-redondas para lidar com questões de fundo.

Mas como vivemos na sociedade mediática, não se podem fazer as coisas de forma esclarecedora. Empilham-se os oradores de múltiplas orientações, proveniências e atitudes. O resultado é uma cacafonia incompreensível que, levada a sério, deixaria toda a gente mais confusa que antes. Claro que, vivendo na era da informação, o povo sai satisfeito com uma ou outra ideia simplista que um interveniente mais habilidoso explicou de forma convincente.”

….

Como viver numa sociedade assim? A única forma é enfrentá-la, como a um furacão: bem escorados nos valores e critérios básicos, escolhendo com cuidado as referências que nos guiam. Existe ainda um elemento importante, que uma das referências mais decisivas da actualidade acaba de formular.

O Papa pediu há dias, no encontro quaresmal com o clero de Roma a 7 de Fevereiro, um "jejum de imagens e palavras". A sociedade mediática criou uma embriaguez de estímulos que embrulha e asfixia, manipula e embrutece. É preciso lidar com ela como com a poluição.

Na era da informação é crucial lembrar que o silêncio é de ouro”