Pela honestidade e contra a corrupção, os portugueses necessitam de exemplo, bem mais do que de sermões.
Pela eficácia, pela pontualidade, pelo atendimento público e pela civilidade dos costumes, os portugueses serão mais sensíveis ao exemplo do que à ameaça ou ao desprezo.
Pela liberdade e pelo respeito devido aos outros, os portugueses aprenderão mais com o exemplo do que com declarações solenes.
Contra a decadência moral e cívica, os portugueses terão mais a ganhar com o exemplo do que com discursos pomposos.
Pela recompensa ao mérito e a punição do favoritismo, os portugueses seguirão o exemplo com mais elevado sentido de justiça.
Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo "ethos" deveria ser o de servir.
Dê-se o exemplo e esse gesto será fértil! Não vale a pena, para usar uma frase feita, dar "sinais de esperança" ou "mensagens de confiança". Quem assim age, tem apenas a fórmula e a retórica.
Dê-se o exemplo de um poder firme, mas flexível, e a democracia melhorará. Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia sentirá os seus efeitos.
Políticos, empresários, sindicalistas e funcionários: tenham consciência de que, em tempos de excesso de informação e de propaganda, as vossas palavras são cada vez mais vazias e inúteis e de o vosso exemplo é cada vez mais decisivo. Se tiverem consideração por quem trabalha, poderão melhor atravessar as crises. Se forem verdadeiros, serão respeitados, mesmo em tempos difíceis.
Em momentos de crise económica, de abaixamento dos critérios morais no exercício de funções empresariais ou políticas, o bom exemplo pode ser a chave, não para as soluções milagrosas, mas para o esforço de recuperação do país."
Palavras pertinentes. Palavras orientadoras que mostram o sentido positivo da nossa história.
Vamos todos esperar que elas terão consequência em todos nós. Mas vamos também esperar que elas tenham consequência em quem as proferiu, ou seja, no próprio António Barreto, de modo a que as suas crónicas nos Jornais e na Comunicação social ao longo do ano próximo seguem coerentes com o que agora escreveu.
Assim, contamos com ele para no próximo ano evitar os contínuos discursos negativos sobre tudo e todos, o continuo escrever de quem se coloca numa posição moral superior em relação a tudo e a todos. Quem não se lembra da leitura, música e texto fúnebre do programa de televisão da sua autoria sobre a sociedade portuguesa pós-25 de Abril ?
Uma vez que os portugueses precisam do exemplo dos que têm mais responsabilidades, cujo "ethos" deveria ser o de servir contamos com António Barreto para ao longo do próximo ano servir com o seu saber, os portugueses, pois, estes "serão mais sensíveis ao exemplo do que à ameaça ou ao desprezo"
"Pela liberdade e pelo respeito devido aos outros, os portugueses aprenderão mais com o exemplo do que com declarações solenes"
Já agora cabe perguntar: porque razão censurar apenas aos Políticos, empresários, sindicalistas e funcionários o excesso de informação e de propaganda. Porque não dirigir essa mensagem aos jornalistas e colunistas que são os verdadeiros cenógrafos e muitas vezes actores e argumentistas desse excesso de informação e propaganda. Ou será que só existe abaixamento dos critérios morais no exercício de funções empresariais ou políticas ?
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