domingo, 21 de setembro de 2008

O PÚBLICO de 21 de Set. de 2008 brinda-nos na primeira página e nas interiores com uma noticia de suma importância, no culminar de uma semana em que a vida social e económica, como a conhecemos  no Ocidente, poderia ter deixada de existir, com a crise nos mercados financeiros na América e no Mundo.

Qual é essa relevantíssima noticia: Uma Vereadora da CM de Lisboa e um Chefe de Gabinete de Santana Lopes foram constituídos arguidos num processo de atribuição de casas propriedade da CM, esperando-se para breve a constituição de arguido do próprio Presidente da CM Santana Lopes .

" A ex-Vereadora da Habitação de Santana Lopes na Câmara Municipal de Lisboa admitiu ontem que recebeu pedidos para providenciar casas a agregados em dificuldades não só da mulher de Durão Barroso, como também de Jorge Sampaio, da Procuradoria-Geral da república e de outras instituições. Helena Lopes da Costa e o antigo chefe de Gabinete de Santana, Miguel Almeida, já foram constituídos arguidos por suspeitas de irregularidades na atribuição de fogos municipais. Santana Lopes também poderá vir a ser constituído arguido" - PUBLICO de 21 de Set. de 2008. 

Os visados já esclareceram que se tratavam de pedidos justificados, por se tratarem de casos de miséria profunda, havendo ainda casos de atribuição de casas a motoristas do Presidente e a funcionários da CM.

Os visados já declararam na comunicação social que estas noticias publicadas agora se prendem com o facto de Santana Lopes poder vir a ser candidato do PSD à CM de Lisboa, o que sabendo-se o "amor" que a actual Direcção do PSD tem para com Santana Lopes quase envolve dizer que a noticia na comunicação social foi posta a correr pela actual Direcção do PSD.

A comunicação social já respondeu a este argumento, escrevendo-se no Editorial do Diário de Noticias de hoje o seguinte:

"Não vale a pena sermos ingénuos sobre a forma como as fontes noticiosas funcionam. Todos sabemos (sobretudo os políticos sabem) que as noticias que as fontes dão são sempre guiadas pelos seus interesses e que estes cabe aos jornalistas dirimir" - Editorial do DN, de 21 de Set. 2008.

REFLEXÕES A FAZER:

Será que a atribuição de casas da CM por pedido de entidades é crime, quando essa atribuição por si não o é ? Ou seja, se a mulher do 1º Ministro pede à Vereadora para dar uma casa a uma família carenciada e esta  vereadora atribui a casa, esta ela a cometer um crime ?  

Está: a Vereadora e a própria mulher do 1º Ministro estão a cometer um crime, mesmo que a atribuição da casa seja um acto licito. REPITO: mesmo que a atribuição da casa seja um acto licito. REPITO OUTRA VEZ:  mesmo que a atribuição da casa seja um acto licito.
Tal pedido está previsto como crime e é punido com pena de prisão até 6 meses, se outra pena mais grave não lhe couber. É o que resulta do art. 335.º do Cód. Penal, que prevê e pune o crime de tráfico de influências.

Reparem que não se trata de influência par a prática de actos ilicitos, mas para a prátiva de actos licitos, como seja atribuir uma casa a quem precisa.

CHEGADOS AQUI estamos à espera que sejam também constituídos arguidos a mulher do 1.º Ministro, o Dr. Jorge Sampaio, as pessoas da procuradoria Geral da República e as pessoas de ouras entidades que fizeram os pedidos. SE ASSIM NÃO ACONTECER, ENTÃO TODOS TEMOS DE CONCLUIR QUE OS PROCESSOS CRIME EM PORTUGAL QUE VISAM ESTE TIPO DE CRIMES SÓ SE INSTAURAM NO ÂMBITO DE ESQUEMAS E INTERESSES QUE ESCAPAM AOS FINS DA JUSTIÇA.

A comunicação social pela pena do Editorial do DN já nos avisa para não sermos ingénuos, dizendo-nos que  "todos sabemos (sobretudo os políticos sabem) que as noticias que as fontes dão são sempre guiadas pelos seus interesses e que estes cabe aos jornalistas dirimir"

E QUAL É O INTERESSE DOS JORNALISTAS NA SELECÇÃO - no dirimir - DESSAS NOTICIAS QUE OUTROS LHES DÃO PARA ATINGIR OS SEUS INTERESSES ?

Onde está a justiça e a dignidade das pessoas concretas envolvidas nesse tráfico de interesses entre as fontes e os jornalistas. Quem são eles e o que querem ?

Com a policia judiciária a participar neste festim de promiscuidade entre políticos e jornalistas não admira que se diga que faltam meios.  Também não admira que a criminalidade violenta e a corrupção aumentem. Os meios estão a investigar estas historietas, e já começam a ser demais.





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