sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Fernando Pessoa

Nunca a alheia vontade, inda que grata,

Cumpras por própria. Manda no que fazes,

Nem de ti mesmo servo.

Niguém te dá quem és. Nada te mude.

Teu íntimo destino involuntário

Cumpre alto. Sê teu filho.

 Fernando Pessoa

 

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive.

Fernando Pessoa

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O silêncio é de ouro!

Sob o titulo O SILÊNCIO É DE OURO, João César das Neves brinda-nos, no Diário de Noticias de 25 de Fev.  de 2008, com uma critica pertinente à exploração quase irracional e muitas vezes degradante das patologias dos intervenientes na coisa pública, sejam eles funcionários de um qualquer departamento ministerial ou o mais proeminente ministro:

Os media não notam que esta degradação também cai sobre eles.

Os repórteres confundem as figuras tristes com jornalismo de qualidade. Em Portugal, relatos enviesados, manipulação descarada, boatos mesquinhos, piadinhas tolas, fotografias ridículas e notícias encomendadas passam por imprensa genuína.

As dificuldades em viver neste mundo não se ficam pela vida pública. Na televisão, rádio, jornais ou auditórios é normal organizar colóquios, debates, mesas-redondas para lidar com questões de fundo.

Mas como vivemos na sociedade mediática, não se podem fazer as coisas de forma esclarecedora. Empilham-se os oradores de múltiplas orientações, proveniências e atitudes. O resultado é uma cacafonia incompreensível que, levada a sério, deixaria toda a gente mais confusa que antes. Claro que, vivendo na era da informação, o povo sai satisfeito com uma ou outra ideia simplista que um interveniente mais habilidoso explicou de forma convincente.”

….

Como viver numa sociedade assim? A única forma é enfrentá-la, como a um furacão: bem escorados nos valores e critérios básicos, escolhendo com cuidado as referências que nos guiam. Existe ainda um elemento importante, que uma das referências mais decisivas da actualidade acaba de formular.

O Papa pediu há dias, no encontro quaresmal com o clero de Roma a 7 de Fevereiro, um "jejum de imagens e palavras". A sociedade mediática criou uma embriaguez de estímulos que embrulha e asfixia, manipula e embrutece. É preciso lidar com ela como com a poluição.

Na era da informação é crucial lembrar que o silêncio é de ouro”

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Bem prega Frei Tomás ...

António Barreto refere no Jornal  Público de 24 de Fev. que "Talvez tudo fosse diferente se os políticos tivessem de responder, com os seus bens, pelas dívidas de que são responsáveis".

Dois comentários a este "originalíssimo e profundíssimo" juízo:

1º - Se há quem neste Pais responde com os seus bens e mais ainda com a sua própria vida particular pelos seus actos são os políticos, que a toda a hora, nas instâncias de controlo do Estado e na comunicação social vêm a sua vida investigada, delapidada e muitas vezes adulterada na Praça Pública. E isto é uma evidência tão grande que cada vez mais permanece na política quem não tem nada a perder.

2º - António Barreto, com essa afirmação, coloca-se no plano do divino e da impunidade, pois, hoje mais do que nunca temos também de dizer que "talvez tudo fosse diferente, se os comentadores, analistas políticos e ainda jornalistas tivessem de responder, com os seus bens,  pelas consequências dos seus actos."

Numa análise pertinente à situação actual da sociedade portuguesa, a SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social - www.sedes.pt - transmite-nos num comunicado divulgado anteontem que "nalguma comunicação social prolifera um jornalismo de insinuação, onde prima o sensacionalismo. Misturando-se verdades e suspeitas, coisas importantes e minudências, destroem-se impunemente reputações laboriosamente construídas, ao mesmo tempo que, banalizando o mal, se favorecem as pessoas sem escrúpulos."

António Barreto habituou-nos há muito aos equívocos que brotam daquele seu juízo. Não soube crescer e passar da idade da maledicência e do voluntarismo da juventude à idade adulta da construção de novos paradigmas de vida e de crença na humanidade. Não soube ser consequente. É pena !

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008